Profissão Taquígrafo

Quando se fala em taquigrafia hoje em dia há sempre o questionamento: "Ainda existe isso"? "O gravador não substitui o taquígrafo"? Para que taquígrafo se há o gravador"? "Não é mais fácil gravar, para que taquígrafo"?E o computador, o voice, que ouve a voz e coloca tudo escrito depois"? "E aquelas maquininhas que a gente vê nos filmes, nos júris, é o taquígrafo que trabalha assim"? Já estou trabalhando há tempo na área da taquigrafia, e desde o tempo de aluno já ouvia esses questionamentos. Tanto o gravador como o computador são instrumentos de apoio para o taquígrafo, jamais o substituem. São máquinas, podem falhar, seja uma fita que enrola, falta de luz, pilha fraca, ou um computador que tem problemas com vírus, problemas de hardware ou software, e acho que todo mundo já passou pela situação de, numa fila de banco, a fila não andar pois o caixa comunica: "O sistema está fora do ar". "Caiu o sistema". E aí vê-se que a informática pode ajudar, e muito, mas também tem falhas. As máquinas usadas nos tribunais de júri (que se vê em filmes americanos) usam a técnica da estenotipia, que é uma espécie de taquigrafia mecanizada, utilizada não apenas em júris, mas em audiências judiciais e também no sistema "Close caption", que são aquelas legendas que alguns aparelhos de televisão têm para facilitar o entendimento das falas para deficientes auditivos.


Mas já respondendo a esses questionamentos, gostaria de falar um pouco da profissão de taquígrafo. Com a situação do desemprego atual, muitas pessoas buscam alternativas, e uma delas é o concurso público. Não raro vemos concursos públicos para determinados cargos, com remunerações baixas, não chegando nem a cinco salários mínimos, pessoas até de nível superior completo, chegando esses concursos a terem muita gente escrita. Só, para exemplificar, no último concurso para o magistério estadual do Rio Grande do Sul, houve 85 mil candidatos (todos de nível superior) para perceber um salário médio de R$300,00 a R$350,00. E nessa busca de alternativas de mercado, a taquigrafia surge como um acidente de percurso. Ninguém é taquígrafo porque quer. A pessoa está procurando alguma profissão estável, que lhe dê condições dignas de sobrevivência, com qualidade de vida, e que tenha uma velhice tranqüila, uma aposentadoria realmente digna. Pois nós todos vamos envelhecer, e temos que pensar nisso um dia.


Eu, como Engenheiro Mecânico, pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho, buscava uma nova alternativa de mercado. Achei na taquigrafia. Procurava uma profissão com poucos profissionais, que o concorrente não fosse um número infinito de pessoas, mas uma briga com os meus limites. E encontrei na taquigrafia uma profissão que tem-me preenchido profissionalmente. Quando fiz o meu primeiro concurso para taquígrafo, havia 108 candidatos inscritos para 24 vagas, sendo que foram aprovados menos candidatos que as 24 vagas oferecidas. Ou seja, o grande concorrente é você com você mesmo, e não como nesses concursos de "milhão de candidatos", que os aprovados ainda tem que ser submetidos a critérios de desempate, como sorteio público, para ficar com a vaga.


Eu tive a sorte de descobrir a minha verdadeira vocação na taquigrafia. Mas tenho "n" casos de profissionais que procuram a taquigrafia como uma alternativa estável de mercado : são médicos, dentistas, advogados, engenheiros, professores. Por falar em professor, tive uma aluna que adorava dar aulas, professora do Estado do Rio Grande do Sul, e que de manhã realizava o seu ideal de dar aulas, ganhando um salário de professora, e de tarde era taquigrafa, para sobreviver dignamente. A propósito dela, uma vez ela me disse uma frase interessante: "Ideal e amor, acabam na porta do supermercado".
O que fica de tudo isso é uma profissão que poucos têm o conhecimento, os concursos públicos têm ocorrido em todos os anos, são poucas as pessoas que procuram aprender a técnica. Logo, as oportunidades estão aí, é um convite que a taquigrafia pode fazer para ti.
Aliás, na bíblia há uma frase muito sábia: "Muitos são os convidados, poucos os escolhidos".

(Eduardo Trevisan Duarte, Taquígrafo.)

 
 
 
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