Suponhamos
que uma pessoa esteja falando a 120 palavras por minuto (o que é
apenas uma velocidade normal, pois freqüentemente as pessoas
falam mais rápido que isso nos debates acalorados. Se o taquígrafo
distrair-se por apenas um segundo, pode perder algumas palavras,
o que poderá tornar impossível a reconstituição
de uma frase na hora de digitá-la, ocasionando grande angústia
para o profissional que tem a obrigação de apresentar
a fala transcrita minutos após para que seja colocado imediatamente
à disposição para revisão e publicação,
tendo ainda responsabilidade de ser fiel ao pronunciamento emitido,
corrigindo, porém, a sintaxe do discurso, mas sem descaracterizar
o estilo próprio do orador.
Muito se questiona da utilidade da taquigrafia nos dias
de hoje, pois há o gravador, voice, a informática
propriamente dita. O taquígrafo pode trabalhar nas condições
mais adversas, desde não ter uma mesa para a execução
do trabalho, falas simultâneas, como em debates, reuniões
ou sessões em geral, onde ele procura fazer o registro
do que é pronunciado. O gravador serve de instrumento de
apoio para a revisão do registro, uma conferência,
propriamente dita, caso haja perda de algumas palavras ou que
não tenha sido possível o entendimento destas palavras
quando pronunciadas.
Os meios eletrônicos ajudam o trabalho do taquígrafo,
mas não o substituem, pois pode ocorrer algum problema
num gravador (problema mecânica, falta de luz, pilhas fracas)
ou em sistemas de informática, com quedas de luz, problemas
no sistema (hardware ou software). Aliás, quem já
não passou pela experiência de ir a um banco, e na
fila de espera, o caixa tecer este comentário: "Caiu
o sistema, o sistema está fora do ar".
O taquígrafo que está bem treinado consegue fazer
o registro de mais de uma pessoa falando ao mesmo tempo, o que
o sistema "voice" já não consegue fazer
o registro, pois tem que ser uma pessoa de cada vez falando, pois
senão, fica muito confuso o resultado da operação.
Ou mesmo o "no break", que segura uma máquina
na falta de luz, mas é por um tempo estipulado. O taquígrafo
tendo uma caneta ou lápis e uma folha de papel desempenha
o seu trabalho, não necessitando de meios eletrônicos
como condição precípua para a sua atividade
na hora do apanhado taquigráfico.
Outro fato que precisa ser levado em conta é a dificuldade
que há para se conseguir taquígrafos habilitados
em número suficiente para preencher os cargos vagos existentes.
Quando é feito um concurso, por exemplo, para preencher
20 vagas de um cargo qualquer de nível superior, como Economista,
Advogado, Médico, etc, podem aparecer uns dois mil candidatos.
Quando se abre um concurso público para prover cargos de
taquígrafo, entretanto, poucos são os profissionais
que se inscrevem para os concursos. "
"Para quem deseja aprender taquigrafia ou ser um taquígrafo
é preciso que a malha neuronial esteja em perfeitas condições.
Ao contrário, do que os leigos pensam, taquigrafar rapidamente
não depende da agilidade da mão, mas da condução,
pela rede de neurônios, das informações recebidas.
Observe que é preciso muita capacidade para obter resultado
satisfatório no itinerário que compreende ouvir,
mentalmente codificar e agilmente transformar a audição
em sinais, e, depois, fazer um exercício inverso: interpretar
os sinais e transformá-los graficamente. Isso é
fantástico! E atine para a importância da memória,
que ainda é mais fantástica."